terça-feira, 22 de junho de 2010

Portugal arrasa a Coreia do Norte, e Cristiano Ronaldo encerra jejum

Lusos derrotam norte-coreanos por 7 a 0, ficam bem perto das oitavas de final e confirmam curiosa previsão do craque: 'Gols são como ketchup'

Antes de Portugal, três das mais bem cotadas seleções que disputam a Copa do Mundo da África do Sul haviam sucumbido na Cidade do Cabo. França, Itália e Inglaterra não conseguiram vencer seus jogos no charmoso estádio Green Point. A equipe de Cristiano Ronaldo destruiu essa sequência e com estilo. Despachou nesta segunda-feira a Coreia do Norte com uma vitória por 7 a 0, a maior goleada deste torneio e a sexta maior da história das Copas, cumprindo a promessa feita pelo técnico Carlos Queiroz:

- Estamos acostumados a enfrentar as tormentas do Cabo da Boa Esperança - afirmou o treinador lusitano na véspera da partida.




Queiroz se referia ao fato de o navegador português Bartolomeu Dias, em 1488, ter vencido o mar agitado do Cabo descobrindo uma nova rota para o Oriente. Um toque de erudição do comandante português.

Cristiano Ronaldo também comprovou sua estranha teoria. Depois de dois anos sem fazer um gol sequer pela seleção em competições oficiais, o astro desencantou. Os gols saíram como ketchup para Portugal, como ele havia comparado.

- Podem demorar a sair, mas vêm todos de uma vez - frisou, para minimizar o jejum particular.

Portugal chega a quatro pontos no Grupo G, dois a menos do que o Brasil. Na próxima sexta-feira, as seleções se enfrentam em Durban, às 11h (de Brasília). Os brasileiros vão jogar pelo empate para ficar em primeiro lugar. Em caso de derrota, os portugueses só saem da segunda colocação se forem superados no saldo de gols pela Costa do Marfim, que tem um ponto e vai enfrentar os norte-coreanos também na sexta, no mesmo horário, em Nelspruit. A equipe africana precisa tirar uma diferença de dez gols para não depender dos critérios de desempate. A Coreia do Norte está eliminada.

Primeiro tempo termina com um magro 1 a 0
Raul Meireles (16) colocou Portugal em vantagem
(Foto: agência Getty Images)

Cinco zagueiros, quatro cães de guarda no meio-campo e um homem de frente. Pela disposição tática, a Coreia do Norte, que enfrentou o Brasil de portas fechadas na estreia, deu a entender que usaria a mesma fórmula contra Portugal. E assim foi nos primeiros dez minutos, momento em que os lusos se mostraram mais determinados e ansiosos para decidir. Bem aberto pela esquerda, Cristiano Ronaldo teve dois novos companheiros de ataque. Danny e Liedson deram lugar a Simão e Hugo Almeida. Coube ao astro do Real Madrid tomar a iniciativa, aos dois minutos. Foi uma arrancada seguida por chute de canhota sem muita força, atrapalhado pela marcação. Norte-coreanos pareciam brotar do campo quando o craque tocava na bola, e as vuvuzelas nunca foram tão ensurdecedoras na Cidade do Cabo.

Ricardo Carvalho foi quem chegou mais perto e mais longe. Primeiro, recebeu passe na área, sem marcação, e isolou. No lance seguinte, aos seis, o goleiro Myonge Guk saiu de forma atabalhoada para cortar o escanteio, e o zagueiro cabeceou na trave.

A Coreia do Norte passou a jogar bola. Surpreendentemente, articulou jogadas, tentou ser criativa e ousada. Assustou de verdade em chutes de longa distância. Jong Hyok, Yong Hak, Tae Se, o “Rooney asiático”, e o camisa 10, Yong Jo . Todos tentaram e chegaram a dar trabalho ao goleiro Eduardo. Seria inspiração em 1966? Na Copa da Inglaterra, nas quartas de final, os norte-coreanos abriram 3 a 0 contra Portugal, mas sofreram uma virada histórica, 5 a 3, que faz do jogo um dos clássicos daquele Mundial.


Desta vez não haveria sustos. Além do ataque, o técnico Carlos Queiroz mudou a lateral e o meio-campo de Portugal. Miguel substituiu Paulo Ferreira na direita, e Deco deu lugar a Tiago na armação por conta das dores nas costas. Tiago foi preciso. Em jogada bem trabalhada, o meia espiou e lançou Raul Meireles na área. Em ótima condição, o volante surpreendeu os marcadores, bateu forte e rasteiro para abrir o placar. A torcida portuguesa voltou a se animar, apesar da chuva e do frio.

Se a bola não chegava na esquerda, Cristiano Ronaldo foi buscá-la na direita. Com as tradicionais pedaladas, o luso tentou dar arrancadas, teve vontade, chutou a gol, mas sem sucesso. Os portugueses insistiram, e Raul Meireles por pouco não fez mais um. Após sobra na área, ele bateu firme, mas a bola se perdeu pela linha de fundo.

Lusos passeiam, e Cristiano Ronaldo encerra jejum

Os cães de guarda do técnico Kim Jong Hun foram muito bem comportados no primeiro tempo. Correram atrás dos adversários sem fazer uma falta sequer. Os portugueses fizeram dez e, na etapa final, preferiram os gols. Um atrás do outro. Começou com Simão. Aos oito minutos, Hugo Almeida foi lançado por Miguel na entrada da área, deixou com classe, de calcanhar, para Raul Meireles, que achou Simão livre para ampliar. Sozinho, na cara do gol, ficou fácil: 2 a 0.
Cristiano Ronaldo sorri aliviado: é o fim do jejum de dois anos sem gols por Portugal (Foto: Reuters)

Pelo lado esquerdo, Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo deitaram e rolaram. Era o caminho para construir a goleada. Pobre Jong Hyok. Nas costas dele saíram mais duas jogadas fatais de Portugal. Aos nove, Coentrão avançou e cruzou na cabeça de Hugo Almeida: 3 a 0. O quarto teve a participação e o talento de Cristiano Ronaldo, três minutos depois. A arrancada pela esquerda, em alta velocidade, deixou o marcador tonto. O passe, rasteiro e preciso, encontrou Tiago no entrada da área para concluir.

Cristiano Ronaldo. Como o craque da seleção pode ficar dois anos sem fazer um gol sequer em jogos de competições oficiais? Um incômodo e cruel jejum. Ele não marcava desde a Eurocopa de 2008, contra a República Tcheca. Aos 25, uma bomba de direita, de fora da área, viajou até encontrar o travessão norte-coreano. Sorriso aberto após o lance, mas, no fundo, ele estava ansioso. Tanto que tentou logo depois. Bateu cruzado, e o goleiro defendeu. Até Liedson, que entrou na parte final, deixou o dele. Aos 35, aproveitando um vacilo da zaga adversária, o atacante mostrou oportunismo dentro da área e disparou, sem chances para Myonge Guk: 5 a 0.

Mas Ronaldo não deixou de tentar. Aos 42, dividiu com o goleiro, dominou a bola sem querer na nuca, no estilo foquinha, e empurrou para o gol. Gol do alívio do craque. Gol do "ufa!". Tiago ainda fez o sétimo. A maior goleada da Copa é de Portugal.

segunda-feira, 21 de junho de 2010



Pela segunda vez consecutiva, Cristiano Ronaldo foi eleito pela Fifa o melhor jogador em campo. Dessa vez, por sua atuação na goleada portuguesa por 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, nesta segunda-feira, no estádio Green Point, na Cidade do Cabo. No entanto, assim como acontecera na estreia, no empate por 0 a 0 com Costa do Marfim, quando disse que preferia a vitória ao prêmio, o astro português não aceitou muito bem a lembrança. Desta vez, ele repassou o troféu para o meia Tiago, autor de dois gols contra os norte-coreanos.

- Achei que foi o Tiago quem mais se destacou nessa partida. Por uma questão de justiça, passei o prêmio para ele - afirmou o craque do Real Madrid, que marcou o sexto gol da partida e, assim, quebrou um jejum que já durava 16 meses: seu último gol com a camisa portuguesa havia sido marcado em fevereiro de 2009, na vitória por 1 a 0 sobre a Finlândia, em amistoso disputado em Portugal.

Tiago, que assumiu a vaga de Deco, machucado, ficou surpreso, mas muito feliz com a atitude do companheiro.
Eu ri porque foi um gol engraçado. Sabia que uma hora iria marcar e, em nenhum momento, me senti pressionado por essa falta de gols"
Cristiano Ronaldo

- Fiquei lisonjeado com essa atitude de Cristiano. Esse gesto dele só fortalece o espírito do nosso grupo.

Sobre o seu gol, Ronaldo admitiu que foi um lance divertido. Após dividir com o goleiro Myong Guk Ri, o atacante perdeu a bola de vista. Ela caprichosamente pousou sobre o pescoço do camisa 7 e ficou na frente do seu pé direito, antes de encontrar a rede. De tão insólito, o lance arrancou uma risada do craque.

- Eu ri porque foi um gol engraçado. Eu sabia que uma hora iria marcar e, em nenhum momento, me senti pressionado por essa falta de gols. Sempre disse que, para mim, o que importa é a vitória, independentemente de quem marque.


Luis Fabiano marca duas vezes, uma delas ajeitando a bola no braço, e Kaká é expulso no segundo tempo, tornando-se desfalque contra Portugal

Foi uma vitória para restabelecer a paz entre a seleção brasileira e a torcida, que na arquibancada do Soccer City gritou "olé" e "o campeão voltou" graças ao placar de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim neste domingo, em Joanesburgo. E foi também uma vitória que testou os nervos de alguns jogadores, já que os africanos apelaram para faltas duras depois de levarem três gols até os 17 minutos do segundo tempo. Kaká não passou nesse teste e foi expulso.

Os gols marcados por Luis Fabiano (duas vezes, uma delas ajeitando a bola com o braço) e Elano fazem do Brasil o segundo país classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo, depois da Holanda, e o terceiro a conseguir 100% de aproveitamento, junto com holandeses e argentinos. A primeira colocação do Grupo G pode ficar garantida já nesta segunda-feira, em caso de empate entre Portugal e Coreia do Norte, que se enfrentam às 8h30m. Luis Fabiano, agora o artilheiro da era Dunga (com 21 gols), foi eleito o melhor em campo no Soccer City.


O Brasil, que foi a seis pontos, enfrenta na última rodada os portugueses, que por enquanto têm um. Os africanos, que ficaram estacionados em um ponto, encaram os coreanos (que têm zero). Os dois jogos serão realizados ao mesmo tempo, às 11h de sexta-feira.

Seleção é dominada no começo do jogo

Se contra a Coreia do Norte o Brasil demorou a criar um lance de perigo, no jogo deste domingo ele surgiu com menos de um minuto. Robinho puxou contra-ataque, após tabela com Kaká, e arriscou de longe - sem tanto perigo - em vez de tentar o passe para Luis Fabiano, mais bem colocado pela esquerda. O que parecia um bom sinal, entretanto, transformou-se em exceção nos primeiros 20 minutos.

Foi da Costa do Marfim a iniciativa do jogo. Ela não mostrou a mesma retranca do empate por 0 a 0 com Portugal e foi além: avançou a marcação para combater a saída de bola da seleção e dominou o meio-campo. Kaká foi desarmado duas vezes logo no começo, e os brasileiros, que davam a impressão de estarem perdidos, cometeram seis faltas em 14 minutos.

Com dificuldade para dominar a bola e tocá-la no meio-campo, a seleção recorreu a um corta-luz para conseguir sua primeira jogada bem trabalhada na partida, somente aos 19 minutos. Elano abriu as pernas e deixou a bola passar na direção de Maicon, que errou no cruzamento. Se não levou perigo, o lance ao menos serviu para deixar a seleção um pouco mais à vontade no jogo.


Seis minutos depois, veio o gol de Luis Fabiano. A jogada teve início com Robinho mais recuado e teve sequência com um calcanhar nem tão certeiro de Luis Fabiano e um bom passe de Kaká. O atacante tomou a frente de seu marcador e, na cara do goleiro, soltou a bomba: 1 a 0. Na comemoração, fez o número 6 com as mãos - uma homenagem ao aniversário da filha e, coincidentemente, o número de partidas que passou em branco. Ele havia marcado pela última vez contra a Argentina, em setembro do ano passado.

O gol não pôs o Brasil no caminho do bom futebol. Os erros de passe continuaram acontecendo, somados a falhas bobas no domínio de bola. O nervosismo do time parecia contagiar Dunga, que reclamou da arbitragem e passou o primeiro tempo brigando com o microfone próximo à área técnica, até arrancá-lo do gramado e colocá-lo atrás do banco.

A seleção não conseguiu criar lances de perigo, concluindo apenas uma vez no gol, mas por outro lado mostrou solidez defensiva, com boas atuações de Lúcio e dos volantes Gilberto Silva e Felipe Melo. Com isso, a Costa do Marfim obrigou Julio Cesar a fazer apenas uma defesa em 45 minutos, num chute forte de Yaya Touré.

Com mais espaço, seleção marca mais dois gols


A segunda etapa começou com forte marcação da Costa do Marfim e o Brasil recorrendo a uma jogada individual para fazer 2 a 0. Com uma ajudinha da arbitragem, é verdade. Luis Fabiano dominou a bola duas vezes no braço, e entre elas deu dois balões em adversários, chutando para a rede. Enquanto o atacante voltava para o seu campo, uma cena curiosa: foi abordado pelo árbitro francês Stephane Lannoy, que, sorrindo, quis saber se ele dominara com o braço. Luis Fabiano não teve dúvida: sério, respondeu que não. E mais tarde ouviu seu nome ecoar no Soccer City, como nos tempos de Brasil.

Com exceção de uma cabeçada perigosa de Drogba, a defesa continuava sem grandes sustos. E no ataque o time já encontrava espaços para tocar a bola. Kaká deu um chute perigoso, após passe de Robinho. E no minuto seguinte, aos 17, o meia fez boa jogada pela ponta esquerda, cruzando rasteiro para a conclusão de Elano, que fez seu segundo gol em dois jogos. E mostrou para a câmera suas caneleiras, com os nomes das filhas.



Nervosos com os 3 a 0 da seleção brasileira, os marfinenses começaram a abusar das faltas. Tioté deu uma entrada dura em Elano, que saiu carregado de campo, aos 30 minutos. E Keita fez falta violenta em Michel Bastos, levando cartão amarelo. Até mesmo quando sofriam falta, os africanos provocavam. Como aconteceu com Kaká e Yaya Touré. O brasileiro deu uma entrada mais forte no adversário, mas ficou irritado com uma mão na nuca.


Entregue em campo, o time africano ainda conseguiu arrumar espaço para diminuir, numa falha isolada de posicionamento da defesa brasileira. Drogba recebeu ótimo lançamento de Yaya Touré aos 33 minutos e marcou de cabeça. Felipe Melo ergueu o braço, protestando contra impedimento que não existiu. Esta foi a primeira vez que uma seleção africana fez um gol no Brasil na história das Copas.

O Brasil não se assustou com o gol e continuou tocando a bola. Mas o jogo estava nervoso. Aos 39 minutos, Kaká deu um empurrão em Keita e foi punido com o cartão amarelo. Três minutos depois, recebeu outro amarelo do árbitro, que viu agressão a Keita, e foi mais cedo para o vestiário, desfalcando o time contra Portugal, em Durban.

domingo, 20 de junho de 2010

Cristiano Ronaldo deixa o Brasil para depois, mas avisa: 'Não temos medo'




Vencer a Coreia do Norte sem pensar no Brasil. O astro português Cristiano Ronaldo afirma que não está preocupado em fazer saldo para ter algum conforto contra a seleção brasileira, na última rodada do Grupo G. Portugal estreou na Copa do Mundo da África do Sul empatando em 0 a 0 com a Costa do Marfim. Nesta segunda-feira, na Cidade do Cabo, enfrenta os norte-coreanos. O craque do Real Madrid afirma que Portugal não tem de se contentar com o empate contra os pentacampeões mundiais.






- Queremos ganhar da Coreia. Se der para fazer mais gols, melhor. Mas 1 a 0, 2 a 0 estará bom. Depois, vamos enfrentar o Brasil. Claro que o Brasil tem seus méritos, venceu cinco Mundiais, mas nós não temos medo deles - disse.





Falando especificamente sobre o jogo desta segunda, Ronaldo acredita que a equipe lusa irá entrar em campo mais leve, livre da pressão da estreia.





- O mais difícil, que é o primeiro jogo, já passou. Temos muitos jogadores que nunca haviam jogado uma Copa do Mundo e isso pesa. Acredito que amanhã (nesta segunda) já vai ser mais fácil. A ansiedade e a pressão da estreia passou. Tenho certeza de que vamos fazer um grande jogo - comentou.



Portugal e Coreia do Norte jogam às 8h30m (de Brasília). Os lusos têm um ponto na tabela, enquanto os norte-coreanos ainda não pontuaram.

Sem Kaká, meio-campo do Brasil vai precisar de improviso



Dunga deixou claro neste sábado (19) que não garante o meia Kaká durante os 90 minutos no jogo contra a Costa do Marfim, neste domingo (20). Na estreia na Copa do Mundo, contra a Coreia do Norte, o meia deixou o gramado aos 32min do segundo tempo. Que ele não está em sua melhor condição não é segredo pra ninguém. O problema maior, e sobre o qual todo brasileiro gostaria de poder opinar, é quem será o substituto de Kaká.

Segundo as palavras do treinador, o camisa 10 deve evoluir contra a seleção africana, mas só será possível saber a real condição fisíca dele durante o jogo. Ou seja, Dunga já deve ter uma ou mais opções para o setor. Nem que tenha que improvisar, como fez da última vez.

Contra a Coreia do Norte, Nilmar foi o substituto do meia do Real Madrid pela primeira vez sob o comando de Dunga. Com a alteração, o atacante Robinho foi deslocado para o meio-campo, e deu passe preciso para o gol de Elano, o segundo do Brasil. Depois da partida, o santista declarou que já jogou na posição, e pode fazer a função quando for preciso.

- Pra mim não tem problema nenhum jogar nessa função do Kaká. Claro que estou mais adaptado ao ataque, mas já joguei nessa posição e não tenho problema nenhum em voltar a atuar assim.

Mas o próprio Dunga já indicou que o substituto de Kaká vai variar de acordo com o andamento do jogo. Júlio Baptista foi convocado como o reserva imediato, mas não entrou na estreia. Criticado, parace ter perdido espaço mesmo com boas atuações nos coletivos. No último jogo-treino, por exemplo, marcou dois dos cinco gols do time reserva sobre o time sub-19 da cidade deVaal, distante 100 km de Johannesburgo.

Outro que pode entrar no lugar do meia é Ramires, que ganhou status de coringa no time de Dunga. Daniel Alves também é uma opção. Nos dois casos, Elano seria o responsável pela armação da equipe.

A maior novidade seria se o treinador escalasse os únicos meias que existem no elenco, fora Kaká. O problema é que eles estão na lateral-esquerda, e se Dunga utilizar um dos dois ficará claro que errou ao deixar de fora jogadores que façam mesma função do camisa 10 do Brasil.

Michel Bastos é meia-atacante no Lyon, da França, e Gilberto é o armador das jogadas no Cruzeiro. Mas nenhum dos dois desempenha essa função na seleção, nem nos treinos.

E você, leitor, quem colocaria no lugar de Kaká, que pelo discurso de Dunga deve ser substituído neste domingo, contra Costa do Marfim? Mas só vale falar de quem está na Copa. Afinal, de longe, Ganso, Ronaldinho Gaúcho e outros não podem resolver o problema do Brasil. Clique aqui e deixe sua opinião.

sábado, 19 de junho de 2010

Artilheiro da era Dunga, Luis Fabiano ganha voto de confiança do treinador


Dunga não está preocupado com a seca de gols de Luis Fabiano. O atacante já soma seis partidas pela seleção brasileira sem balançar a rede. A última vez que isso aconteceu foi em setembro de 2009, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, contra a Argentina, em Rosário. O Fabuloso marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre os “hermanos”.

De lá para cá, Luis Fabiano convive com o incômodo jejum. Foram jogos contra Venezuela, Inglaterra, Omã, Zimbábue, Tanzânia e Coreia do Norte em branco.

- (A fase do) Luis Fabiano não preocupa de forma alguma. Ele veio de uma lesão. Vem trabalhando forte. Artilheiro é assim. No momento certo ele vai fazer os gols que o Brasil tanto precisa. Temos inteira confiança nele. Quando a gente precisar ele vai fazer os gols - disse Dunga.

Ao lado de Robinho, Luis Fabiano é o artilheiro da seleção brasileira na Era Dunga com 19 gols. Mas o Fabuloso tem muito menos jogos neste período. Foram 27 contra 50 partidas do atacante do Santos.

Brasil e Costa do Marfim se enfrentam neste domingo, às 15h30m de Brasília (20h30m na África do Sul), no estádio Soccer City, em Joanesburgo, pela segunda rodada do Grupo G da Copa do Mundo. A seleção lidera com três pontos. Portugal e Costa do Marfim têm um ponto cada.

Dinamarca vence, elimina Camarões e classifica a Holanda

Por causa da Dinamarca, a Copa do Mundo tem a primeira seleção matematicamente classificada e a primeira eliminada. Com vitória de virada por 2 a 1 sobre Camarões neste sábado, em Pretória, os dinamarqueses fizeram o time de Samuel Eto'o não ter mais chances de avançar na competição e ainda colocaram a Holanda nas oitavas de final.
Desolado, camaronês Assouekotto observa comemoração do segundo gol dinamarquês (Foto: Reuters)

A Laranja soma seis pontos e lidera o Grupo E. Na próxima quinta-feira, às 15h30m (de Brasília), pega Camarões, que ainda não pontuou. No mesmo dia e horário, Dinamarca e Japão, que estão com três, decidem a segunda vaga da chave na Cidade do Cabo. Nas oitavas, os primeiro e segundo colocados enfrentam classificados do Grupo F, que tem Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia.





Após a derrota para os japoneses na estreia, Camarões entrou diferente em campo no Loftus Versfeld. Os jogadores pressionaram o técnico francês Paul Le Guen para mudar o time, e ele acabou aceitando. Samuel Eto'o, que jogou pela esquerda na estreia, atuou como centroavante e marcou seu primeiro gol na Copa. A equipe contou ainda com Song, Emana e Geremi, que foram reservas no primeiro jogo, como titulares.

Morten Olsen também apresentou na Dinamarca. O capitão Jon Dahl Tomasson recuperou-se de lesão e formou o ataque com Nicklas Bendtner e Dennis Rommedahl, autores dos gols da virada. Rommedahl foi responsável também pelas melhores jogadas da equipe, sempre aproveitando as falhas de marcação pelo lado esquerdo da defesa africana.

O Loftus Versfeld tem capacidade para 42.858 torcedores e, segundo a Fifa, o público presente foi de 38.074. Porém, a maior parte dos lugares atrás dos gols estava vazia. Como todos os jogos à noite (às 20h30m do horário local), a temperatura foi baixa e os termômetros chegaram a marcar 6ºC.

Equilíbrio nas ações, igualdade no placar

Com uma postura ofensiva e sabendo que precisava da vitória, Camarões começou a partida partindo para cima. Em quatro minutos, duas boas jogadas. A melhor com Eto'o, que jogando centralizado no ataque, arriscou de fora da área, mas errou o alvo.

A resposta dinamarquesa veio dois minutos depois, pelo lado esquerdo da zaga africana, que sofreu o primeiro tempo todo por ali. Rommedahl entrou na área pelas costas da zaga e chutou por cima. O começo agitado ganhou um gol de presente. Ou melhor, Camarões ganhou o presente da defesa europeia.
Em tom de desabafo, Eto´o comemora o primeiro gol de Camarões no Mundial da África (Foto: Reuters)

Aos dez, Christian Poulsen saiu jogando errado e deu a bola nos pés de Webo. O camisa 15 rolou para Eto'o, que ficou sozinho na área e tocou no canto esquerdo. Primeiro gol do craque do Inter de Milão na Copa do Mundo: 1 a 0.

A vantagem no placar deixou Camarões cheio de graça. E o time continuou pressionando. Aos 12, quase saiu o segundo, com um chute de longe de Emana, para fora, rente à trave. Passes de efeito, pedaladas, dribles. Os camaroneses quiseram abusar e acabaram vendo a Dinamarca melhorar em campo.
Bendtner agradece passe de Rommedahl no gol de
empate da Dinamarca (Foto: Reuters)

O time de Morten Olsen teve bela chance de empatar aos 16. Após boa troca de passes, Gronkjaer recebeu fora da área e chutou. A bola tinha endereço certo, mas Nkoulou usou a cabeça e salvou os camaroneses.

O empate saiu aos 33. Mais uma vez, a Dinamarca apostou em lançar pela esquerda da zaga. Deu certo. Rommedahl recebeu sozinho de novo e cruzou, rasteiro, para Bendtner se esticar: 1 a 1.

Os minutos finais foram emocionantes com o empate no placar. Aos 41, Souleymanou perdeu uma dividida, e Tomasson chutou para o gol vazio, mas Nkoulou salvou de novo. No rebote, Jorgensen chutou por cima. No contra-ataque, Eto'o recebeu na área e bateu de canhota na trave da Dinamarca. Em seguida, Emana entrou driblando, passou por dois, mas chutou mal, e Sorensen pegou.

Infernal, Rommedahl decide para 'Dinamáquina'

O segundo tempo começou um pouco mais devagar que o primeiro, e Camarões desperdiçou uma chance aos 12, quando Webo recebeu de Eto'o e chutou longe, quase acertando o placar que fica no último andar da arquibancada.

Três minutos depois, mais uma vez a Dinamarca aproveitou a falha de marcação pela esquerda da defesa africana e chegou à virada, em contra-ataque: Rommedahl foi lançado na direita, driblou Makoun na área e bateu de canhota, no canto direito de Souleymanou: 2 a 1.

Os europeus ainda poderiam ter ampliado. Aos 24, a bola foi lançada por cima da defesa, Rommedahl entrou sozinho na área e rolou para Tomasson. Mas o capitão, que completou 14 partidas sem marcar pela seleção, chutou para defesa de Souleymanou.

Desesperado para evitar a eliminação, Camarões foi para o ataque. Teve boas chances com Emana e Eto'o, mas não conseguiu. A Dinamarca soube se defender e segurar os Leões, que mais uma fez não foram indomáveis e vão assistir ao mata-mata da Copa em casa.